Brasil decide neste domingo a eleição mais disputada de sua história, com Flávio Bolsonaro e Lula em empate técnico


Brasil decide neste domingo a eleição mais disputada de sua história, com Flávio Bolsonaro e Lula em empate técnico

O Brasil chega às eleições presidenciais mais reñidas de sua história. Quase 159 milhões de brasileiros estão chamados a votar neste domingo, 25 de outubro, no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aspira a um quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente condenado por tentar um golpe de Estado. A votação será realizada em todo o país, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Todas as pesquisas divulgadas neste sábado, véspera da eleição, contam a mesma história: Flávio Bolsonaro numericamente à frente, Lula logo atrás, e os dois em empate técnico dentro da margem de erro. A pesquisa CNT/MDA, divulgada neste sábado, mostra o senador com 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% de Lula — uma diferença de 1,4 ponto percentual, com margem de erro de 2,2 pontos. Nos votos totais, Flávio registra 46,3% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Outros 5,8% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 2,9% não souberam responder.

A pesquisa BTG/Nexus, também divulgada neste sábado, aponta o mesmo cenário: Flávio com 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula, com margem de erro de 2,2 pontos. O instituto Nexus ouviu 2.000 eleitores entre sexta-feira e este sábado. Já o Instituto França, divulgado pela Times Brasil/CNBC, dá a Flávio 51,4% dos votos válidos, contra 48,6% de Lula, com o senador à frente em três regiões — Centro-Oeste, Sudeste e Sul — e Lula à frente no Nordeste, com 58,9%, e no Norte, com 46,1%.

No primeiro turno, disputado em 4 de outubro, nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, o que levou a disputa para a segunda votação. Flávio terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — uma vitória inesperada que surpreendeu as pesquisas da época e mudou o tom da campanha.

A pesquisa CNT/MDA revela um eleitorado com decisões praticamente consolidadas: 92,7% afirmam que sua escolha é definitiva, enquanto apenas 7,3% admitem a possibilidade de mudar o voto até domingo. Outro dado chama a atenção: independentemente da intenção de voto, 51,6% dos entrevistados acreditam que Flávio vencerá a disputa, enquanto 37,6% apostam na vitória de Lula.

Os dois candidatos encerraram a campanha neste sábado com atos em cidades diferentes. Lula afirmou, em um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, estar confiante na vitória e atribuiu a mobilização da campanha aos apoiadores. "Estou dizendo para vocês e podem anotar: amanhã eu serei eleito presidente da República outra vez", declarou. Ele chamou de "Exército do Lula" o grupo de apoiadores que, segundo disse, chegará a 13 milhões de pessoas no domingo.

Na sexta-feira, no segundo e último debate antes da votação, um Flávio Bolsonaro aparentemente moderado tratou de convencer as mulheres e o eleitorado de centro, enquanto Lula passou à ofensiva e o encurralou em terrenos que o bolsonarismo considera próprios, como a segurança.

O que se decide neste domingo vai além do Brasil. O resultado terá eco em todo um continente que há anos gira à direita, alentado por Donald Trump. Uma vitória de Flávio Bolsonaro consolidaria uma dinastia política que parecia encerrada com a condenação do pai; uma vitória de Lula daria ao presidente de 81 anos um quarto mandato e manteria o PT no poder por mais quatro anos.

Em alguns estados, os eleitores também vão escolher o próximo governador no segundo turno. A apuração começa logo após o fechamento das urnas, às 17h, e o resultado deve ser conhecido ainda na noite de domingo.

Informações baseadas na cobertura da Reuters, Times Brasil/CNBC e El País.

 

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